segunda-feira, março 20, 2006
soubera que seria o derradeiro
Mais um filho do novo Plano Tecnológico.
Agora também já sou especialista, um dos filhos do novo Plano Tecnológico!
Desejo o melhor futuro para este blogue e não deixarei de vir visitá-lo regularmente.
Nota: Entretanto correram rumores que eu ia trabalhar para esta árdua labuta, mas aproveito este momento para o desmentir. É que na verdade sou alérgico ao polén das palmeiras!
Se o mundo fosse uma aldeia de 100 pessoas...
A 20 de Maio de 1990, uma Professora universitária, Donella Meadows, escrevia na sua habitual coluna semanal "The Global Citizen" no jornal "The Valley News", um artigo ("State of the Village Report") que viria a ser muito divulgado pelo mundo fora. Nesse artigo, Donella Meadows sabendo dirigir-se a um público generalista tentou apresentar um resumido quadro da situação sócio-humanitária no mundo, recorrendo a um modelo que fosse o mais compreensível possível. Reduziu então a população do mundo a uma aldeia de 100 pessoas ("Se o mundo fosse uma aldeia de 100 pessoas" - "If the world were a village of 100 people") e apresentou diversos indicadores demográficos, de saúde, culturas, etc. nesse âmbito.
Passado mais de década e meia esse modelo "Se o mundo fosse uma aldeia de 100 pessoas" continua a granjear muito sucesso. O busílis da questão é que em muitos casos os modelos que na actualidade circulam não apresentam os dados actualizados, em face da contínua mudança no mundo. O mais impressionante é observar, amiúde, pessoas com elevada instrução a confiar cegamente em dados bastante desactualizados.
Como tal dei-me ao trabalho de tentar actualizar os dados. Os valores que apresento terão alguma margem de erro pois baseiam-se em determinadas estatísticas (ONU, CIA, UNICEF, OMS,...) que por sua vez mesmo entre variam razoavelmente.

domingo, março 19, 2006
SIM, SENHOR MINISTRO...
Pois claro!! O que estão a fazer ainda aqui?
Book Towns! Ena, tanto livro!!
A verdade da mentira...
O portal Snopes.com tem por objectivo principal esclarecer as dúvidas da veracidade de alguns pressupostos mais comuns na sociedade. Par além de um fórum bastante concorrido ainda expõe no seu website, as conclusões que obteve acerca da veracidade de milhares pressupostos, que estão divididos por dezenas de categorias.
COMUNS FRAUDES/FALSIDADES:
Afirmação: O efeito de Coriolis induz que no Hemifério Norte, num lavatório, a água gire no sentido dos ponteiros do relógio e no Hemisfério Sul no sentido inverso.
Realidade: A força de Coriolis não tem capacidade para influenciar tal movimento
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Afirmação :A Muralha da China é a única construção humana que é visível do espaço.
Realidade: A Muralha da China nem sequer é visível (visão humana) do espaço.
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Afirmação: O cabelo e as unhas continuam a crescer mesmo depois de termos morrido
Realidade: Claro que não crescem
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Afirmação: Apenas usamos 10% da capacidade do nosso cérebro
Realidade: Na realidade usamos todo o cérebro (excluindo G. W. Bush)
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Afirmação: Um nº pouco usual de coincidências podem ser encontradas entre os assassinatos de Abraham Lincoln e John F. Kennedy.
Realidade: Na realidade existe uma ou outra coincidência, mas não passam disso...
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Afirmação: Os telemóveis possuem essa designação por serem móveis
Realidade: Os primeiros ditos telemóveis eram fixos só que viajavam de vez em quando para outras terras
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Afirmação: A disposição das patas de um cavalo numa estátua equestre revela o modo como o militar morreu
Realidade: Não revela
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Afirmação: A imagem do Pai Natal foi inspirado pela Coca-cola.
Realidade: Nem na Pepsi...
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VERDADES :
Afirmação: A mãe mais nova na história da humanidade foi uma rapariga peruana com apenas 5 anos de idade
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Afirmação: Em 2005 Agassi e Federer jogaram um jogo de ténis no topo de uma arranha-céus no Dubai
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Afirmação: Muito se tem especulado sobre umas determinadas imagens de uma pista indoor de Ski no Dubai
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Afirmação: Restos mortais de Charlie Chaplin foram roubados da sua sepultura e solicitado resgates por eles
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Afirmação: Num torneio de futebol nos Barbados para as equipas poderem ter hipótese de passar à final tiveram que marcar na sua própria baliza.
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Afirmação: Apenas aos 37 anos Jack Nicholson soube que a mulher que toda a vida pensara que fosse sua irmã afinal era a sua mãe.
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VERDADE OU FALSIDADE?:
Afirmação: Rei João Carlos matou acidentalmente ou não seu irmão no Estoril?
Indicios
Anime Weekend Aveiro 2006 - Fotos
sábado, março 18, 2006
Mudança (definitiva) de e-mail
Agradeço pois que me passem a enviar os mails relativos a assuntos da blogosfera e afins para ffvilarinho[arroba]gmail.com
É mesmo ffvilarinho[arroba]gmail.com e não ffvilarino[arroba]gmail.com
Prometo que não irei mudar tão cedo de e-mail. Desta vez fui mesmo induzido a tal!
NOTA: Substituam é claro [arroba] por @
(é só para prevenir spam)
tenham um bom dia e uma boa semana
quarta-feira, março 15, 2006
"Kafka à Beira-Mar " - Haruki Murakami
Foi muito recentemente lançada em Portugal a tradução para Língua Portuguesa do livro "Umibe no Kafuka" de Haruki Murakami, cujo título foi traduzido para "Kafka à Beira-Mar". Em inglês intitulou-se "Kafka on the Shore". A edição portuguesa foi da responsabilidade da editora "Casa das Letras" (Editorial Noticias), que detém os direitos de tradução de Murakami em Portugal, e que já traduziu do mesmo autor "Sputnik, meu Amor" (em Japonês “Spūtoniku no Koibito”).
Uma breve sinopse do romance recolhida na Bertrand Livreiros:
"Kafka à Beira-Mar narra as aventuras (e desventuras) de duas estranhas personagens, cujas vidas, correndo lado a lado ao longo do romance, acabarão por revelar-se repletas de enigmas e carregadas de mistério. São elas Kafka Tamura, que foge de casa aos 15 anos, perseguido pela sombra da negra profecia que um dia lhe foi lançada pelo pai, e de Nakata, um homem já idoso que nunca recupera de um estranho acidente de que foi vítima quando jovem, que tem dedicado boa parte da sua vida a uma causa -procurar gatos desaparecidos.
Neste romance os gatos conversam com pessoas, do céu cai peixe, um chulo faz-se acompanhar de uma prostituta que cita Hegel e uma floresta abriga soldados que não sabem o que é envelhecer desde os dias da Segunda Guerra Mundial. Assiste-se, ainda, a uma morte brutal, só que tanto a identidade da vítima como a do assassino permanecerão um mistério.
Trata-se, no caso, de uma clássica (e extravagante) história de demanda e, simultaneamente, de uma arrojada exploração de tabus, só possível graças ao enorme talento de um dos maiores contadores de histórias do nosso tempo."
Seria muito bom se também traduzissem para Língua Portuguesa "Nejimaki-dori kuronikuru", em inglês "The Wind-Up Bird Chronicle".
terça-feira, março 14, 2006
Apoiar Portugal. Dar preferência a produtos nacionais!
domingo, março 12, 2006
Evocar Wenceslau de Moraes.
Associação Wenceslau de Moraes.Porventura o escritor que mais tenho lido nos últimos anos tem sido Wenceslau de Moraes. E em cada renovação da sua leitura não me deixa de surpreender a excepcional qualidade literária, quer narrativa, quer descritiva/expositiva patente nas suas inúmeras obras. Particularmente o seu profuso ecletismo e infindo sentido de humanidade e respeito por todas as formas de vida que o circundavam. Como a generalidade de todos os lusos que partiram de Portugal e singraram noutra terras permanece imensamente esquecido. Os nossos ilustres emigrantes sempre foram mais acarinhados e celebrados nas terras que os acolheram, ao invés de onde foram gerados.
Pedro Barreiros, oficial general médico, natural de Macau (mas que vive desde a juventude em Portugal) tem sido nas últimas décadas quem mais tem porfiado em Portugal pelo justo reconhecimento da obra de Moraes. Há dois anos foi ele o principal impulsionador e organizador (e Comissário-geral) das comemorações dos 150 anos do nascimento (1854), em Lisboa, de Wenceslau de Moraes. Dois anos volvidos é ele também o rosto principal por detrás da recém-criada Associação Wenceslau de Moraes. Esta associação que realizou a sua apresentação ao público em 27 de Fevereiro de 2006, no centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, pretende incrementar a difusão da sua obra, bem como aproximar o Ocidente do Oriente, como defendia o escritor e militar português, e que o demonstrou de modo modelar apenas com o seu exemplo de vida. Pedro Barreiros assume a Presidência da associação sendo coadjuvado por Ingrid Bloser Martins, viúva do Embaixador e escritor Armando Martins Janeira, que foi o biógrafo e grande impulsionador do conhecimento sobre Wenceslau de Moraes no Japão, país onde o escritor/militar viveu durante 31 anos até à sua morte em 1929, então com 75 anos.
Na sessão de apresentação foi projectado um documentário sobre W. de Moraes realizado pela Universidade Aberta. A sessão pública contou ainda com uma mostra/venda de todas as obras de Moraes reeditadas em 2004 e com o lançamento de “O-Yoné e Ko-Haru”, livro que foi editado pela última vez em 1923 e que regressa agora ao mercado pela Imprensa Nacional - Casa da Moeda. Pedro Barreiros lembrou na altura que Wenceslau de Moraes “que conheceu bem a alma do povo japonês, nunca perdeu a sua ocidentalidade, nem a sua ligação a Portugal” e afirmou também que “a obra literária de Wenceslau de Moraes está ainda muito esquecida. Por isso, a associação pretende dar continuidade às comemorações de 2004, quando se celebraram os 150 anos do nascimento do escritor”, tendo para isso previstas reedições, exposições e conferências sobre a vida e obra do autor.
A primeira actividade da Associação é a realização de uma exposição, que foi inaugurada a 11 de Março, e que decorre no Salão do Hospital Termal das Caldas da Rainha, versando sobre a vida e obra de Wenceslau de Moraes. Esta exposição tem vindo a ser acompanhada por um ciclo de conferências na Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha. Entre os oradores que participam nas palestras estão, além de Pedro Barreiros, presidente da associação, o ensaísta Daniel Pires, o escritor Rui Zink e a investigadora Ana Paula Laborinho, autora do livro “O Essencial sobre Wenceslau de Moraes”.
Uma vigorosa saudação a quem intenta ir sempre mais longe…
Se o mercado luso de BD é já por isso limitado, então apostar num editora lusa específica de Manga (ou Mangá, como queiram) afigura-se quase ficção. Mas há quem tenha muito querer e muito quimera no seu espírito e acredite que esta ficção se possa tornar realidade. Este sonho materializou-se e chama-se MangaLine Edições, com sede em Coimbra.
Até aqui os portugueses leitores de Manga teriam de ler ou na Língua original (um restrito grupo de privilegiados) ou adquirir as edições espanholas, francesas, brasileiras, etc.. Apesar de tudo, editoras portuguesas como a Devir ou a Meribérica já lançaram uma ou outra Manga traduzida. Mas a questão da Língua tem afastado ao longo dos anos muito potenciais leitores.
Criar uma editora específica de Manga em Portugal foi tarefa que ninguém ousou arriscar até hoje, por diversas razões: exiguidade de mercado, a implementação da Manga no mercado nacional até há cerca de uma década atrás era relativamente circunscrita, complexidade na negociação directa com as editoras Japonesas, etc. Este último aspecto prende-se sobretudo com o facto de as editoras Japonesas utilizarem principalmente a Língua Japonesa nas negociações e de serem extremamente criteriosos relativamente às suas edições publicadas quer na sua, quer noutra Línguas. As edições noutras Línguas têm de ser rigorosamente iguais às iniciais: sentido de leitura original (do fim para o princípio do livro, em relação aos padrões ocidentais e da direita para a esquerda das pranchas), as cores, os desenhos, as dimensões, etc. Uma autêntica clonagem, com a excepção, é óbvio, da Língua usada. Deste modo muitas editoras são recusadas pelos Japoneses se se perspectivar que não cumprirão todos os critérios impostos. Aliás, é este sentido de reverência às edições originais (que não as desvirtua) que explica muito do crescente sucesso da Manga pelo mundo fora, onde esta já domina os mercados de muito países ocidentais, inclusive na emblemática França. Aliás a Manga tem sido responsável em muitos países pela revitalização do mercado bedéfilo
Inicialmente a editora foi designada por Naraneko, mas entendeu-se que uma parceria ibérica, para uma editora que dá os primeiros passos, seria mais proveitoso, sobretudo para facilitar a aquisição dos direitos. Assim foi estabelecido acordo com a editora espanhola Mangaline Ediciones e em face disto o nome inicial foi alterado. No entanto como sublinha Francisco Espiñeiro, um dos dois mentores do projecto (o outro é Bruno Pinto) "a MangaLine España efectua as negociações, mas as decisões sobre os títulos, formatos, traduções, distribuição e demais aspectos são todas da responsabilidade da MangaLine Portugal".
No Japão as edições a Manga são dirigidas a estratos etários de público específicos. Visto em Portugal serem os adolescentes e jovens, no momento, os maiores consumidores de Manga os dois primeiros títulos da MangaLine Edições foram dirigidas a estes públicos. São eles “Vampire Princess Miyu” e “My-Hime”, que foram lançados no decorrer da Anime Weekend Aveiro 2006 e já estão disponíveis em livrarias especializadas ou não, grandes superfícies, quiosques e afins de todo o país, bem como em lojas on-line (Centralcomics, Mundo Fantasma, Dr. Kartoon, BDmania, KingPinetc.).
“Vampire Princess Miyu” de Narumi Kakinouchi, uma fantasia romântica com vampiros, é uma série de 10 números, lançados mensalmente com um preço de 8€ por volume. “My-Hime” de Hajime Yatate, Noboru Kimura e Ken-Etsu Satô,, uma BD em ambiente escolar com uma forte componente fantástica, é bimestral, custa 7.5€ e será editado em 5 volumes. Ambas as edições mantêm o sentido de leitura original (do fim para o princípio do livro, em relação aos padrões ocidentais e da direita para a esquerda das pranchas), no formato 12x18cm e cerca de 200 páginas. Estão previsto mais dois ou três títulos durante 2006, e de futuro próximo já constarão igualmente obras de contornos mais eruditos e direccionadas a públicos de maior idade, inclusive alguns clássicos da Manga (que poderão ser: "Angel Sanctuary", "Berserk", "City Hunter", etc). Aliás, a escolha dos títulos é realizada após a auscultação do máximo dos potenciais leitores, bem como de especialistas na matéria.
Poderão ser consultadas informações relacionadas em :
MangaPT / Central Comics / Mundo Fantasma / O Gato Cósmico / Anime Portugal.net / AnimeKensei / AMCI / Clube Otaku / AnimePT / AnimePortugal.com /…
sábado, março 11, 2006
A suspeita afinal foi confirmada !

Foi hoje confirmado, pelos próprios, que ovilacondense afinal não existe em qualquer alusão a um burgo nortenho português, mas sim a uma Villa do Conde de Barcelona.
Foi um esclarecimento tardio, mas para quem está ali no Portão há tanto tempo esperando que o FêCêPê jogue novamente além-fronteiras, compreende-se!
quarta-feira, março 08, 2006
BENFICA 3.0 - O novo modelo!
modelo!
Web 2.0 ? Tecnologia 2.0 ? Gestão 2.0 ?Qual quê!!
O BENFICA está à frente disso tudo e com uma estrelinha de campeão que espero que dure tipo as pilhas Duracelli! Até nunca mais acabar!!
BENFICA 3.0 Adira você também!
Espantosa vitória do Campeão Português sobre o Campeão da Europa! Foi bonito ouvir-se os 3 mil Benfiquistas/Lusos no estádio a gritar:
"Ninguém pára o BENFICA!
Ninguém pára o BENFICA!
Olé!! Olé!!"
Agora só não quero mesmo as equipas italianas a atravessarem-se no longo e promissor caminho do Benfica!
Uma nova velha Praça regiana.
Recentemente através desta notícia no JN sobre a nova velha praça José Régio em Vila do Conde, veio-me à memória o longo historial de edificação desta. Não de vinte anos como é aludido, mas mais propriamente de um quarto de século! Não costumo recordar em nuances de patega nostalgia os anos já passados, pois intentava tirar o gozo possível dos momentos como qualquer petiz, e aí somos todos um pouco robertos de taras e manias, devaneando ao sabor do vento, por vezes mais de aragens matizadas pela maresia que se acercava amiúde.
No miolo de um quarteirão onde se entranha o que é hoje a praça regiana, até princípios da década de 80 quedavam apenas quintais. Parcelas bem prolongadas que se estendiam desde as traseiras das casas que embutiam com o Terreiro (Praça da República) até as imediações da rua 25 de Abril, no Mercado. À tarde eram magotes de putos da zona que se irmanavam nesses quintais para jogarem às guerrinhas ou à trepa dos agigantados muros. Muitas vezes a coisa dava para o torto e lá vinha um vazando um rubro líquido pelo canastro abaixo.
No princípio da década de oitenta a autarquia assenhoreou-se dos quintais e os muros (porventura símiles da inocência) foram sendo derribados um a um. Até o emblemático muro do Sr. Adolfo, meu vizinho, chegou a vez de ser prostrado, abrindo-se cércea passagem desde o Terreiro. Os imensos recônditos que os quintais albergavam deram lugar a uma larga ágora despida de referências, um descampado que uns errantes orbitavam sem outro poiso conforme.
Bem se podia sublimar o desconforto daquela espoliação nas entranhas da filial do Banco Borges & Irmão que paulatinamente se vinha ali imortalizando pela destreza das dúvidas do seu remate final, como que imprimindo o mote que contagiaria a cadência de edificação da envolvente praça. A profusa esfera imaginativa dos miúdos logo forjou nesse espaço campos da bola, pistas de biclas, de skates e outros tantos modos de entreter o tempo a seu belo prazer. O escritor, mais para seu pesar, lá viu ser desfraldada sua estátua empedernida da memória e da vista dos vila-condenses durante dilatados anos e que foi alvo de todos os desaforos que nem sequer divisamos de permeio.
Um ano depois da (pré-)inauguração da Praça, local que se quer de novo fincar como ponto de profuso convívio e diversão, agora sobretudo para os mais graúdos, não deixam ainda de ecoar no meu pensamento os olhares risonhos de meus camaradas de armas de pau e pistolas de esguicho, dos risos em debandada quando algum de nós se enfiava pela lama adentro, ou no ar de consolação quando manjávamos frutos palmados de uma árvore mais à mão.
Confiemos que belos novos dias regressem à Praça e que a estátua do escritor não mais reste ali meia tolhida, sinaleira de novas quadras intermite&mente renovadas.
domingo, março 05, 2006
Pirinéus - Amigos da Montanha - 17 a 22-02-006
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