terça-feira, setembro 26, 2006

Paragem até ao próximo Verão.

Por manifesta falta de tempo este blogue não será mais actualizado até ao próximo Verão.
O meu agradecimento a todos os que por aqui passaram.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Japão é o país convidado da 10ª edição do Festival Internacional de Dança Contemporânea "a Sul", que decorre até 13 de Outubro.

""Coreografias japonesas vão poder ser vistas em cinco concelhos algarvios, mas também em Lisboa, nos dez espectáculos agendados para a 10ª edição do Festival Internacional de Dança Contemporânea "a Sul". O certame, que tem como país convidado o Japão, arranca hoje em Faro, mas vai passar também por Loulé, Lagos, Lagoa e Vila Real de Santo António, numa maratona de dança contemporânea que só termina a 13 de Outubro.

A iniciativa, que também se estende a Lisboa, resulta de uma co-produção entre a associação "no Fundo do Fundo" e o Teatro das Figuras, em Faro, com o apoio da associação Devir e do Centro de Artes Performativas do Algarve (CAPA).

Abrem o Festival, no CAPA, em Faro, os espectáculos "Carlo X Carlo", trabalho sobre a dualidade humana interpretado pela companhia japonesa "j.a.m Dance Theatre", e "Mizunoie/Water House", pela Monochrome Circus. Nas noites de sábado e domingo, o festival "percorre" cerca de 60 quilómetros até Lagoa, para a apresentação do espectáculo "não temos pátria, temos barbatanas & valsa lenta 06". O espectáculo, concebido e dirigido por José Laginha, é composto por duas partes, separadas por um intervalo em que é interpretada a performance "a encomenda", a que se segue a instalação "valsa lenta 06".

A par dos espectáculos "Kaminari - Trovão", interpretado pela Kamu Suna Ballet Company e "7 p.m./Rumour (loose in the air)", de Maria Ramos, a representação de José Laginha completa o trio de participações portuguesas no festival. "Kaminari - Trovão" é a primeira obra da companhia dirigida por César Augusto Moniz, que durante dez anos viajou entre Portugal e o Japão para estudar o xintoísmo, religião anterior ao budismo, e o budismo. O espectáculo da companhia Kamu Suna Ballet Company, formada em Lisboa em Janeiro de 2006, é apresentado em Lagos a 30 de Setembro e em Lagoa a 06 de Outubro.


O terceiro espectáculo português a ser apresentado no festival - "7 p.m./Rumour (loose in the air)" -, inspirado no poema "Half-hanged Mary", de Margaret Atwood, sobe ao palco do CAPa a 13 de Outubro, data de encerramento do certame.

No mesmo dia, repetem os espectáculos "Tabula Rasa", pela companhia Cross-Section, apresentado antes em Loulé, a 29 de Setembro, e "Komachi", coreografado por Masami Yurabe, que pode ser visto antes em Lagoa, em estreia nacional, a 06 de Outubro, e no Teatro da Comuna a 09 e 10 de Outubro.

A agenda do festival "a Sul" inclui ainda, em Lisboa e Faro, os espectáculos "Pollen Revolution", pela companhia Akira Kasai, em estreia nacional, e "Refined Colors", pelo Monochrome Circus, em Loulé. O coreógrafo japonês Miho Konai traz também a Portugal pela primeira vez o espectáculo "FuwaFuwa Ladybug", apresentado em Loulé no dia 29, em Vila Real de Santo António no dia 07 de Outubro e no Teatro da Comuna nos dias 09 e 10.

Outra estreia em palcos portugueses é a do espectáculo "Against Newton II", interpretado pela companhia japonesa Dance Theatre Ludens a 30 de Setembro em Lagos e a 7 de Outubro em Vila Real de Santo António. "

Fontes:
Texto - Barlavento Online - 16-09-006
Cartaz

Consultar website do Festival, com Programação detalhada

Mais notícias alusivas: Região Sul,

segunda-feira, setembro 18, 2006

"Histórias e Tradições do Japão" : exposições organizadas no Porto, de 30 de Setembro a 29 de Outubro.

"Porto e Nagasaki, cidades geminadas, serviram de inspiração para este evento cultural que compreende três exposições organizadas pela "Árvore" Cooperativa de Actividades Artísticas, em colaboração com a Embaixada do Japão, Câmara Municipal do Porto e a Dra. Maria Helena Castro.

"Histórias e Tradições do Japão" compreende 3 exposições:

(Estas duas exposições decorrem na Casa do Infante, de 2ª a Sábado, das 10h00 às 17h30 ; e aos Domingos das 14h00 às 17h00.)

(Esta exposição decorre no CRAT [Centro Regional de Artes Tradicionais], de 2ª a 6ª, das 10h00 às 12h00 e das 13h00 às 18h00).

Para mais informações contactar "Árvore" Cooperativa de Actividades Artísticas - Alexandra Gandra | Tel.: 22 207 60 10. Todas as exposições têm entrada livre.


Fontes:
Texto - Embaixada do Japão em Portugal
Gravura: Yoshitoshi Taiso


quarta-feira, setembro 13, 2006

O Japão é o país convidado da 1ª edição do “Farol de Sonhos”, que decorre em Cascais, entre 11 e 15 de Outubro.

O Japão é o país convidado da 1ª edição doFarol de Sonhos”, o 1º Encontro sobre o Livro e o Imaginário Infantil que decorrerá na Biblioteca Municipal de São Domingos de Rana, em Cascais, entre os dias 11 e 15 de Outubro.

Trata-se de um “evento multidisciplinar, no qual a ilustração, o livro, os mecanismos da imaginação criadora e a colaboração dinâmica com as escolas irão estar no centro do debate, da reflexão colectiva e da fruição de objectos artísticos de projecção internacional.

Iniciativa de características inéditas no nosso país, o Farol de Sonhos trará pela primeira vez a Portugal Katsumi Komagata (convidado especial), um dos maiores criadores gráficos mundiais, bem como alguns dos mais destacados responsáveis de eventos internacionais como a Feira de Bolonha, a Bienal de Bratislava ou a Biblioteca Internacional para a Infância de Munique.

O Farol de Sonhos, na sua dimensão plural, pretende transformar-se num acontecimento de referência da vida cultural portuguesa, homenageando em cada edição figuras cuja obra se inscreve no âmbito criativo que a iniciativa cobre. Arte e reflexão para todas as idades, de olhos postos na modernidade e no futuro.”


(clicar para ampliar)


Este encontro compreende a realização de :

Exposições:

Conferências do Farol” apresentando como oradores/intervenientes:

Workshops:

Dia 12, 13 e 14 : Workshops de Katsumi Komagata e associação “Les Trois Ourses


Edição de diversas obras: sobre Katsumi Komagata, José Barata-Moura, ilustradores portugueses

Homenagem a José Barata-Moura, no dia 14, com apresentação de José Jorge Letria, seguido de interpretação de arranjo para quarteto de cordas da obra de José Barata-Moura, por José Luís Ferreira. Será apresentada uma publicação evocativa de vários aspectos da vida e obra de José Barata-Moura, e que inclui entrevista de Filipa Melo e prefácio de José Jorge Letria.

A inscrição, que inclui a participação em todas as conferências, dois workshops e a oferta das edições, pode ser realizada até ao dia 27 de Setembro (com um número limite de participantes).


Mais informações:

Programa detalhado
Inscrições
Organização
Contactos
Cartaz
Mascote
(Ondina)
Blogue


terça-feira, setembro 12, 2006

Uma ampla vaga de livros nipónicos editados no Brasil nos próximos anos (I)

“Escrita que vem lá do Japão”
por Paulo Cunha
Revista “EntreLivros”, nº 17 - Setembro de 2006


"Mercado brasileiro se abre para a literatura produzida no Japão. Até 2007, editoras preparam lançamentos de autores contemporâneos - entre eles dois Prêmios Nobel -, em traduções diretas do original.

Nos últimos anos, o mercado editorial brasileiro descobriu um novo filão: a literatura japonesa contemporânea, isto é, a produzida a partir do século XIX. Nessa leva, acaba de chegar às livrarias um pacote de peso. Nele se incluem dois romances do Prêmio Nobel Yasunari Kawabata, outro do também premiado Kenzaburo Oe, e a segunda edição de Hagoromo de Zeami, uma “transcriação” de Haroldo de Campos sobre uma peça tradicional do teatro nô. Os lançamentos não devem parar por aí. Empenhada em publicar toda a obra de Kawabata, a editora Estação Liberdade anuncia mais dois livros para 2007: A dançarina de Izu e Contos da palma da mão. Também em 2007, a Ateliê Editorial lançará Trajetória em noite escura, de Naoya Shiga, com tradução de Neide Nagae. A Objetiva, que já publicou dois livros de Haruki Murakami (Minha querida Sputnik e Norwegian wood), prepara mais um para o ano que vem – comprou os direitos de Umibe no Kafka, que será lançado no Brasil com o título provisório Kafka à beira-mar. Detalhe importante entre os lançamentos é o fato de todos terem tradução direta do japonês, fato raro até então no mercado editorial brasileiro.

Depois de publicar, em 2004, O país das neves e A casa das belas adormecidas – inspiração confessa de Gabriel García Márquez para seu Memórias de minhas putas tristes –, a Estação Liberdade lança mais duas obras fundamentais de Yasunari Kawabata (1899-1972), Prêmio Nobel de literatura de 1968. Kyoto é talvez seu trabalho mais importante, que deu reconhecimento internacional ao escritor. Lançado originalmente em 1962, foi uma das últimas obras de Kawabata antes de sua morte, por suicídio, dez anos mais tarde. Chega agora com tradução do japonês de Meiko Shimon. Ambientado em Kyoto, no período pós-Segunda Guerra, narra a trajetória da jovem Chieko, filha adotiva de Takichiro, um comerciante de quimonos, e de sua esposa, Shige. Chieko trabalha na loja do pai e assiste à sua falência, como à de várias outras lojas tradicionais de Kyoto, em razão da mudança dos valores culturais, então influenciados pelo Ocidente. Para descrever a cidade que foi capital do Japão por mais de mil anos (entre 794 e 1868), Kawabata desenvolveu uma profunda pesquisa, que revela na obra aspectos culturais e costumes da região, até então desconhecidos até mesmo por japoneses. A descrição de Kawabata sobre a cidade, sua mistura de estilos, sua beleza natural e datas festivas, é pura poesia.

A tradutora, Meiko Shimon, destaca as dificuldades de passar o texto do japonês para o português. “Trazer seu mundo imaginário, escrito de uma forma um tanto vaga, muitas vezes ambígua, mas com uma linguagem bela e fluente é o mais difícil”, diz ela. Além disso, Meiko conta que Kyoto traz termos e situações tipicamente japoneses. “Não só os aspectos da cultura tradicional, quimonos, festivais, templos e santuários, habitações, costumes, como também o modo de falar, pensar e se comportar dos personagens”, diz. “Tudo isso é muito diferente para os leitores brasileiros.”

O outro título, Mil tsurus, publicado originalmente em capítulos por revistas japonesas, foi escrito entre 1949 e 1951, período marcado pela reconstrução de um Japão devastado pela guerra. Saiu pela primeira vez no Brasil em 1956, pela Nova Fronteira, sob o título Nuvens de pássaros brancos. A edição que chega agora tem tradução do japonês de Drik Sada. Fazendo da cerimônia do chá o pano de fundo da obra, Kawabata resgata valores tradicionais, justamente no momento em que o país se defrontava com valores culturais vindos do Ocidente. O livro narra a vida de Kikuji Mitani, um jovem que reencontra duas amantes de seu falecido pai, durante uma cerimônia do chá, e acaba profundamente envolvido com elas. Nessa história em que o passado, representado pela figura do pai do protagonista, desperta sentimentos em conflito, Kawabata demostra novamente seu profundo conhecimento da antiga cultura do Japão e enaltece a importância da arte oriental, por meio das cerâmicas seculares do ritual do chá. "

(continua no post abaixo)


Uma ampla vaga de livros nipónicos editados no Brasil nos próximos anos (II)

“Escrita que vem lá do Japão”
por Paulo Cunha
Revista “EntreLivros”, nº 17 - Setembro de 2006

"Também lançado inicialmente em periódicos japoneses, entre 1982 e 1983, "Jovens de um novo tempo, despertai!", de Kenzaburo Oe, é uma coletânea de sete histórias de ficção curtas. O autor se inspirou em versos do poeta inglês William Blake para descrever o cotidiano de um escritor de meia-idade com seu filho excepcional. Os versos servem de contraponto à trama e ecoam ao longo de todo o livro. Kenzaburo Oe, nascido em 1935, é um dos romancistas mais populares do Japão. Sua obra compreende inúmeros contos, escritos políticos e um famoso ensaio sobre Hiroshima. Em 1967, recebeu o prêmio Tanizaki e, em 1994, o Prêmio Nobel de Literatura.

A tradução desse livro, formado por períodos longos e frases interferentes, tomou um ano de trabalho de Leiko Godota. “Oe diz que tentou, em suas obras de início de carreira, desconstruir a língua e recriá-la. No meu entender, isso é uma manifestação vigorosa da sua imaginação, que extrapolou, por assim dizer, o âmbito do tema. Essa rebeldia, bem atenuada agora, ainda é aparente em suas obras atuais e um elemento complicador para a tradução”, avalia a tradutora.

Hagoromo de Zeami: o charme sutil é uma “transcriação” de Haroldo de Campos (1929-2003) para um clássico do teatro japonês, que ganha agora nova edição, bilíngüe (japonês-português), pela Estação Liberdade. Foi traduzida e minuciosamente trabalhada pelo poeta, morto há três anos. O livro traz a versão integral da peça Hagoromo [O manto de plumas], do dramaturgo Motokiyo Zeami (1363-1443), principal nome do teatro nô e considerado o maior artista do período Muromachi (1333-1573).

Numa época em que o Japão era assolado por calamidades naturais e infindáveis guerras civis, o talento de Zeami, de apenas 12 anos, chamou a atenção do jovem xogum Yoshimitsu Ashikaga, cinco anos mais velho. Interessado pelas artes, Yoshimitsu patrocinou a obra de Zeami durante 34 anos. Isso permitiu o desenvolvimento de um novo gênero cênico, o teatro de máscaras nô. Como dramaturgo, ele escreveu mais de cem peças. A edição é caprichadíssima. Vem acompanhada do texto original, com os ideogramas (kanji), transcrição fonética e os significados literais de cada verso.

O interesse de Haroldo de Campos pela peça vem dos anos 1950, quando iniciou seus estudos da língua japonesa. Em 1960, o poeta escreveu um ensaio sobre a obra, que foi publicado só em 1976, no livro A operação do texto. A primeira edição do Hagoromo, de 1993, ganhou o Prêmio Jabuti de tradução.

É significativo o fato de esses lançamentos serem traduções diretas do japonês. “Traduzir diretamente do texto-fonte é o ideal, pois as perdas que estão implícitas em qualquer trabalho de tradução podem ser minimizadas, e as marcas da cultura que o trabalho literário apresenta podem ficar preservadas”, afirma Neide Nagae, que já traduziu obras de Kawabata, Murakami e Jun’ichiro Tanizaki, entre outros. Leiko Godota, tradutora de diversos autores japoneses, concorda. “Por mais que o tradutor se empenhe, uma tradução é apenas uma cópia pálida do original e, portanto, cópias dessas cópias tendem a ser cada vez mais esmaecidas”, diz. "

(continua no post abaixo)


Uma ampla vaga de livros nipónicos editados no Brasil nos próximos anos (III)

“Escrita que vem lá do Japão”
por Paulo Cunha
Revista “EntreLivros”, nº 17 - Setembro de 2006

"Para a tradutora Meiko Simon, “a maior dificuldade é a enorme distância que existe entre as duas línguas e culturas. Isso exige um trabalho intenso na transposição cultural ou recriação textual para poder adaptar à língua portuguesa”. Leiko Gotoda identifica as dificuldades de cada autor: “Eiji Yoshikawa é um escritor poético, emotivo, capaz de agarrar o leitor e prendê-lo com firmeza. Haruki Murakami tem uma linguagem moderna, sui generis. Seu texto transcorre numa sucessão de frases curtas, como num fraseado de jazz, ritmo musical que o autor aprecia muito. Seus personagens, assim como seus temas, são modernos e globalizados, mas o autor nunca perde de vista o cerne, a verve poética da alma japonesa. Jun’ichiro Tanizaki é o escritor da linguagem e do tema clássicos, tradicionais. Seu texto é claro, desprovido de ambigüidades, mas exatamente pelo fato de ser genuinamente japonês se torna difícil traduzi-lo. Ele adora falar das manifestações culturais japonesas mais tradicionais (religiosas, teatrais, festivas, musicais, artesanais, gastronômicas, arquitetônicas etc.), que levam o tradutor a gemer no momento de transpor seus detalhes para outra língua”.

O vigor da literatura japonesa contemporânea inspira-se em uma rica variedade de fontes, desde as influências clássicas da China antiga, passando pela diversidade do pensamento ocidental, até os valores duradouros de suas próprias tradições. Musashi, o calhamaço de Eiji Yoshikawa (1892-1962) lançado no Brasil pela Estação Liberdade em dois volumes em 1999, é o responsável por todo esse interesse pelos escritores japoneses. Com tiragem inicial de 4 mil exemplares, o livro surpreendeu a própria editora e ultrapassou os 60 mil volumes vendidos. “A demanda visível pela literatura japonesa verificou-se a partir do lançamento de Musashi, um best-seller apesar de seus dois volumes de quase 2 mil páginas”, diz Jo Takahashi, da Fundação Japão, uma organização vinculada ao Ministério das Relações Exteriores do Japão.

Depois dessa publicação, cresceu sensivelmente o interesse das grandes editoras por obras de escritores japoneses, principalmente os contemporâneos. “Há um componente essencial no interesse por Musashi, que são as artes marciais e a filosofia zen, e não necessariamente o valor literário das obras, mas é inegável que ele foi uma porta de entrada para o universo japonês”, completa. A literatura contemporânea japonesa é muito apreciada na Europa e nos Estados Unidos. “No Brasil, temos um atraso no mercado editorial, que precisa ser corrigido, pois há aqui o culto aos best-sellers. A carência de bons tradutores do japonês para o português é outro problema que ainda não está resolvido”, adverte Jo.


A Curiosa Génese da Literatura Nipónica.

As obras literárias mais antigas do Japão exercem influência até hoje. Uma delas é o Kojiki (Registro de casos antigos), texto em prosa que se acredita ser do ano 712. Outra é o Manyoshu, uma antologia em 20 volumes de poemas compilada por volta de 770. Contém cerca de 4.500 poemas de homens e mulheres de todas as profissões e idades, muitos anônimos. Os poemas são conhecidos por sua franqueza e simplicidade.

No período seguinte, de desenvolvimento da literatura vernácula destaca-se Taketori monogatari [A história do cortador de bambu], escrito por volta de 811, considerado o primeiro romance japonês. Foi seguido por outras relevantes obras, como o Genji monogatari [A história de Genji], escrita por Murasaki Shikibu, por volta de 1010, romance em 54 volumes que descreve o amor e o sofrimento de nobres e suas damas, bem como a aristocracia japonesa nos séculos X e XI. O famoso haiku, poema de três versos e cinco, sete e cinco sílabas, só viria a surgir no século XVII"

Fim.


domingo, setembro 10, 2006

Programação nipónica do mês de Setembro na Cinemateca Portuguesa

Na programação deste mês da Cinemateca Portuguesa, o cicloNovo Cinema do Sol Nascente” apresenta filmes estreados nos últimos três anos, provenientes de países asiáticos como o Japão, Coreia do Sul, China, Hong Kong e Taiwan.
Do Japão serão projectados:

“Ninguém Sabe” (Dare mo Shiranai)
de Koreeda Hirokazu
com Yuya Yagira, Kitaura Ayu, Kimura Hiei, Shimizu Momoko
Japão, 2004 - 141 min / legendado em português
Com carreira iniciada na década de 90, Koreeda Hirozaku é um realizador quase desconhecido entre nós. Dos nove filmes que fez, este foi o único que Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema: Programação Setembro/06 estreou em Portugal. É a história de quatro crianças que a mãe abandona num apartamento da cidade, ficando entregue a si próprias. Baseado num facto real.
Sala Dr. Félix Ribeiro Qui. [Dia 7] 21:30

Zatoichi de Takeshi Kitano
com Takeshi Kitano, Tadanobu Asano, Michiyo Ookusu, Gadarukanaru Taka
Japão, 2003 - 116 min / legendado em português
Takeshi Kitano é hoje já um "clássico", amplamente conhecido e estudado, tendo grande parte da obra estreado entre nós. ZATOICHI é uma experiência singular de Kitano, uma incursão nos filmes de samurais, indo buscar um herói popular deste género de há várias décadas, o guerreiro cego Zatoichi.
Sala Luís de Pina Ter. [Dia 19] 19:30

"Café Lumière" (Kochi Jiko)
de Hou Hsiao-hsien
com Yo Hitoto, Tadanobu Asano, Masato Hagigawa, Kimiko Yo, Nenji Kobayashi
Taiwan/Japão, 2003 - 103 min / legendado em francês
Uma belíssima homenagem do autor de “O Verão em Casa do Avô” (Dongdong de Jiaqui), ao cinema de Yazujiro Ozu, para celebrar o centenário do nascimento daquele célebre cineasta japonês. Hou Hsiao-hisen foi ao Japão para filmar temas de Ozu: as relações com pais idosos, os planos de casamento de uma jovem, a vida contemplativa e a presença omnipresente dos comboios, tudo num estilo pessoal e inconfundível.
Sala Dr. Félix Ribeiro Seg. [Dia 25] 21:30 ; Sala Luís de Pina Qua. [Dia 27] 22:00


"O Gosto do Chá" (Cha No Aji)
de Ishii Katsuhito
com Maya Banno, Takahiro Sato, Tadanobu Asano, Satomi Tezuka
Japão, 2004 -143 min / legendado em francês
Uma estranha comédia marcada pelo absurdo e pelo onirismo. O centro do filme é Yoshiko, uma adolescente que se julga perseguida por uma dupla de si própria, em versão gigante, enquanto a mãe trabalha num filme de animação e um velho tio chega em busca de repouso.
Sala Dr. Félix Ribeiro Qua. [Dia 27] 19:00 ; Sala Luís de Pina Sex. [Dia 29] 22:00


Integrados noutros ciclos também serão projectados:

"O Intendente Sansho" (Sansho Dayu)
de Kenji Mizoguchi
com Kinuyo Tanaka, Yoshiaki Hanayagi, Kyôko Kagawa, Eitarô Shindô
Japão, 1953 - 85 min / legendado em espanhol
A história de Sansho Dayu baseia-se numa velha lenda japonesa, contada de diversas maneiras (da literatura às canções populares) a partir do século XVI. O filme de Mizoguchi baseia-se na versão escrita pelo romancista Ogai Mori, em 1915. O argumentista Yoshikata Yoda explicou que a intenção era "elevar uma lenda popular ao nível de um drama social", o que Mizoguchi conseguiu elevando à elipse suprema uma e outra dessas origens. Um conto de fadas como origem da tragédia. Um dos seus filmes mais densos e misteriosos.
Sala Luís de Pina Seg. [Dia 18] 22:00


A Ilha dos Amores” de Paulo Rocha
com Luís Miguel Cintra, Clara Joana, Zita Duarte, Jorge Silva Melo, Paulo Rocha, Yoshiko Mita
Portugal, 1982 - 172 min / falado em português e japonês com legendas em português.
Compõe-se em nove cantos e é um filme inspirado na vida e obra do escritor Wenceslau de Moraes, que saiu de Portugal nos finais do século XIX para buscar no Japão uma “arte de viver” que conciliasse o material e o espiritual. Uma das obras mais arriscadas do cinema português, em que o trabalho de “mise-en-scène” é sobretudo realizado no interior dos próprios planos. Música de Paulo Brandão.
Sala Luís de Pina Qua. [Dia 6] 22:00

Fonte: Cinemateca Portuguesa


Mais uma obra da literatura portuguesa chegará ao Japão: "A Espera" de Rui Zink.

"Camões, Eça de Queirós, Fernando Pessoa, entre outros, “abriram caminho”, foram os primeiros a “despertar” a atenção dos editores japoneses, que hoje se mostram também interessados em nomes mais “recentes” da literatura portuguesa.

Hoje, é já possível mencionar um lote razoável de autores portugueses – não apenas clássicos, mas também modernos, contemporâneos – traduzidos na língua de Bashô e Kawabata. Miguel Torga e José Saramago, por exemplo. Mas também Rui Zink. O autor de «Apocalipse nau» vai dar-se a conhecer ao leitor japonês com uma ‘novela curta’ que escreveu em 1998 e as Publicações Europa-América publicaram, cujo título é «A Espera».

A notícia da tradução, em curso, deste livro foi dada há dias pela tradutora japonesa Itoko Hamasaki – e Zink, ouvido pela Lusa, confirmou-a. Itoko foi a vencedora ex-aequo, este ano, do Prémio Rodrigues, o intérprete, com a tradução de «O Crime do Padre Amaro», de Eça de Queirós. O outro galardoado foi o professor universitário Nokio Kinshichi, com uma biografia sobre o Infante Dom Henrique.

O prémio, atribuído anualmente pela embaixada de Portugal no Japão, distingue obras sobre temas e autores portugueses e traduções de livros portugueses. Formada em estudos luso-brasileiros, Itoko está já a preparar a tradução de um outro romance de Eça, «O Primo Basílio».

«A Espera», uma ‘novela curta’ de Rui Zink escrita em 1998, vai ser publicada em japonês, numa tradução de Takiko Okamura. “Cruzam-se na novela – explicou o escritor à Lusa – duas histórias: a caça à baleia como prática e como metáfora da literatura”. Como matéria-prima, Zink utilizou o que viu, ouviu e experimentou quando assistiu, em 1982, nos Açores, a uma caça à baleia, prática então já ilegalizada.

A história da tradução do livro começou há três anos quando, com outros autores portugueses, Zink participou em Tóquio em encontros numa universidade local organizados pelo Instituto Camões e Instituto Português das Bibliotecas e do Livro (IPBL). Zink levou consigo, “numa mala”, alguns dos seus livros, entre os quais «A Espera», deu-os a ler e esperou reacções. Um dos editores contactados mostrou interesse em publicar, precisamente, «A Espera».

Porquê «A Espera», que não é, definitivamente, o mais conhecido dos seus livros, o mais lido ou aplaudido pela crítica? A escolha terá tido a ver com o facto de a “caça à baleia” ser uma realidade familiar aos japoneses. O Japão tem, hoje, e com acesa polémica à mistura, uma das mais poderosas frotas de caça à baleia do mundo – nada de comparável à artesanal prática açoriana. “As pessoas – observa Zink – gostam de ler coisas que tenham a ver com a sua realidade, a sua experiência”.


Fonte : O Primeiro de Janeiro - 10-09-006

Obras em japonês relacionadas com Portugal.

"Uma tradução para japonês de «O Crime do Padre Amaro» e uma biografia do Infante D. Henrique venceram a 14ª edição do Prémio literário Rodrigues, o intérprete, anualmente atribuído pela embaixada de Portugal em Tóquio. Oito obras estiveram a concurso este ano.

A tradução é da autoria de Itoko Hamasaki, uma tradutora formada em estudos luso-brasileiros na Universidade Sophia (universidade católica japonesa) e apaixonada pela literatura portuguesa e, em particular, pelos romances de Eça de Queirós.

A biografia – «Infante D. Henrique: pioneiro dos descobrimentos e da sua época», foi escrita por Norio Kinshichi, professor de História Portuguesa na Universidade de Tenri.

Os dois vencedores, distinguidos ex-aequo, vão partilhar o prémio no valor de 500 mil ienes (cerca de 3.500 euros). A cerimónia de entrega do galardão está marcada para amanhã, pelas 17h30, na residência oficial da Embaixada de Portugal.


O prémio.

O galardão literário Rodrigues foi instituído em 1990 pela embaixada de Portugal no Japão, com base num fundo doado por um seu antigo intérprete, Jorge Midorikawa, para distinguir obras editadas no Japão, em japonês, sobre temas relacionados com Portugal ou autores portugueses e traduções de obras portuguesas. Missionário jesuíta português, João Rodrigues, que dá o nome ao prémio, viveu no Japão entre 1577 e 1610 e a sua acção no território faz dele uma figura de relevo no quadro das relações luso-nipónicas no seu começo (séculos XVI e XVII).


Rodrigues: o intérprete.

A par da sua actividade religiosa, Rodrigues trabalhou como intérprete de dois senhores feudais – Oda Nobunaga e Toyotomi Hideyoshi – e foi um dos autores e coordenador do «Vocabulário da Língua de Japam», primeiro dicionário de japonês-português, editado em 1603. São ainda da sua autoria «Arte da Língua de Japam (1608), «Arte breve da língua de Japam» (1620) e «A história da igreja de Japam» (1634)."

Fonte: O Primeiro de Janeiro - 03-09-006


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